Sou do tempo em que, para coibir ou reduzir os assaltos, furtos e roubos, eram usados cacos de vidro nos muros, cercas elétricas e avisos do tipo: Cuidado! Cão bravo! Hoje, contamos com câmeras de segurança em quase todos os lugares. Se não garantem segurança, pelo menos, ajudam na investigação do crime. O curioso é que nem sempre esse tipo de gravação tem ajudado, pois surgem as negações sistemáticas do conteúdo e a sutil alegação de que as imagens não dizem tudo. Convenhamos, dizem quase tudo.
Recordar é sofrer. Há pouco tempo, a mídia divulgou imagens de escândalos batizados de mensalão, em que corruptor e coadjuvantes recebiam, repassavam e malocavam nosso dinheiro. Recentemente, vimos cenas degradantes de negociatas com comemorações e agradecimentos ao Todo-Poderoso. Para estes casos, a saída foi negar e questionar as imagens.
Vale a pena ressaltar o caso de uma doméstica que maltratava idosos que estavam sob os seus cuidados e, ainda, o destaque desta semana, que envolve uma Procuradora da Justiça, aposentada, que aparece em uma gravação, ao gritos, exigindo que uma menina de quase três anos, que estava sob sua guarda, ingerisse a comida, aos tapas e xingamentos como ‘cachorra’ e ‘vaquinha’.
Na maioria dos casos, os acusados (e seus advogados) negam peremptoriamente. O segredo é esse: negar peremptoriamente e contestar as imagens, mesmo que sejam contundentes. Afinal, as imagens não dizem tudo. E isto pode ser um álibi para protelar, dar um tempo. O tempo é a amnésia em doses homeopáticas. É provável que, daqui a alguns anos, haja alguma condenação. Porém, os tempos, as prioridades e as feridas serão outras. Aquelas, bem ou mal, já foram cicatrizadas ou nos acostumamos a elas. E seremos pseudo-felizes para sempre. Já vi esse filme e verei mais vezes. É isso aí! Luz, câmera, ação e... negação!
Postada em: 7/5/2010 | 18:30:03