Manifestantes danificaram estruturas de estações do metrô após mobilização política em São Paulo; tumulto também foi registrado entre apoiadores do presidente e um homem que filmava o grupo
São Paulo — A manifestação em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada neste domingo (11), na Avenida Paulista, em São Paulo, foi marcada por episódios de confusão, depredação de estruturas do metrô e dificuldades enfrentadas por passageiros do transporte público. O ato, denominado Marcha pela Democracia, reuniu milhares de apoiadores, lideranças políticas e integrantes de movimentos estudantis.
Os principais incidentes ocorreram nas estações de metrô próximas à manifestação. Durante a dispersão do público, participantes do ato subiram em estruturas de acesso às estações Consolação e Trianon-Masp, realizaram pichações e danificaram grades.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram pessoas sobre as estruturas das estações e inscrições feitas durante a movimentação. Entre as pichações registradas estava a frase “Viva a Revolução”.
Os episódios de vandalismo ocorreram após a concentração política, que contou com a presença de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), de parlamentares e de outras lideranças da esquerda.
Confusão começou dentro do metrô
Antes mesmo da manifestação na Avenida Paulista, um homem precisou ser contido por agentes de segurança na estação Paulista, na área de transferência entre as linhas 2-Verde e 4-Amarela.
Segundo a concessionária responsável pelo atendimento no local, a confusão começou quando o homem passou a filmar um grupo de apoiadores de Lula que seguia para o ato.
A atitude provocou reação de alguns manifestantes, que suspeitaram que ele fosse um apoiador do candidato Flávio Bolsonaro (PL) tentando provocar o grupo.
Agentes de segurança intervieram para controlar a situação e evitar que o desentendimento aumentasse.
O homem foi liberado após a intervenção. Segundo a concessionária, nenhum dos envolvidos demonstrou interesse em registrar queixa.
Estações foram fechadas temporariamente
O grande número de participantes também provocou dificuldades na operação do transporte público.
Por volta das 12h50, a estação Trianon-Masp, localizada na Avenida Paulista, foi temporariamente fechada devido à concentração de pessoas.
A medida foi adotada para controlar o fluxo de passageiros e evitar aglomerações excessivas nas plataformas, corredores e acessos.
Além da Trianon-Masp, usuários relataram dificuldades nas estações Consolação, Brigadeiro, Paraíso, Paulista e Higienópolis-Mackenzie.
Passageiros que tentavam deixar a região após o encerramento do ato encontraram acessos fechados e precisaram procurar outras estações.
Em alguns casos, manifestantes caminharam por vários quilômetros para conseguir embarcar.
As operadoras informaram que reforçaram o número de funcionários e ampliaram a oferta de trens para atender ao público. Segundo as empresas, as restrições temporárias fizeram parte do planejamento de segurança para eventos com grande concentração de pessoas.
Manifestação reuniu lideranças da esquerda
A Marcha pela Democracia começou por volta das 11h, com concentração nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp).
A mobilização foi organizada por movimentos sociais, entidades estudantis e grupos de esquerda, com participação de jovens e representantes de diferentes organizações políticas.
Lula discursou para os apoiadores e abordou temas da campanha presidencial, incluindo a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1.
O presidente também pediu que os participantes intensificassem a mobilização eleitoral para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, quando enfrentará Flávio Bolsonaro.
Entre os presentes estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin, a primeira-dama Janja da Silva, parlamentares e governadores aliados.
Apesar da grande participação popular, a manifestação terminou com registros de danos ao patrimônio e transtornos no transporte público.
Até a divulgação das informações disponíveis neste domingo, não havia confirmação sobre o número de pessoas eventualmente identificadas ou responsabilizadas pelos atos de depredação.

















