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Banco Porto Real é adquirido pelo Nubank em operação bilionária

Redação Folha do Interior by Redação Folha do Interior
22 de julho de 2026
em Economia
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Banco Porto Real é adquirido pelo Nubank em operação bilionária
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Aquisição permitirá à fintech incorporar uma licença bancária em meio às novas regras para uso do termo “bank”; Instituição fundada pela família Monteiro da Costa será incorporada após aval do Banco Central

Sul Fluminense

Uma negociação fechada em silêncio, entre uma das maiores fintechs do mundo e um banco minúsculo do interior fluminense, colocou Porto Real no centro de uma das operações financeiras mais comentadas do mercado brasileiro. O Nubank anunciou na ultima segunda-feira (20) a compra de 100% do Banco Porto Real de Investimentos S/A, uma instituição com apenas R$ 32 milhões em ativos, especializada em crédito para o atacado, presidida pelo empresário Luiz Eduardo Tarquínio Monteiro da Costa, 74 anos, um dos bilionários mais discretos do Brasil.

O valor da transação não foi divulgado. Mas o motivo da compra é claro e tem a ver com regulação, não com ativos.

O Nubank, que opera com 115 milhões de clientes em vários países, não é tecnicamente um banco, é uma instituição de pagamento, uma financeira e uma corretora de títulos. Nunca foi um banco no sentido regulatório. E durante anos isso não foi problema. Até que o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional editaram a Resolução Conjunta nº 17, que disciplina o uso dos termos “banco” e “bank” no nome das instituições financeiras. A nova norma determina que quem usa esses termos precisa ter, de fato, uma licença bancária.

Para o Nubank, que tem a palavra “bank” no próprio nome e toda a sua identidade de marca construída em torno dela, a exigência criou um problema urgente. A solução mais rápida e eficiente não era criar um banco do zero — processo longo e burocrático — mas comprar um que já existisse. E foi exatamente o que fizeram.

O Banco Porto Real, com suas décadas de existência e licença bancária regularizada, era justamente o que o Nubank precisava. A operação, sujeita à aprovação do Banco Central, permitirá que a fintech incorpore essa licença ao seu conglomerado e mantenha o nome “bank” sem restrições regulatórias. Depois de concluída, a licença do Porto Real se somará às que o Nubank já possui, de Instituição de Pagamento, de Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento e de Corretora de Títulos e Valores Mobiliários.

Quem é a família por trás do banco

Para entender a dimensão do que está sendo vendido, é preciso voltar no tempo e chegar até uma cidadezinha do Sul Fluminense.

Porto Real, às margens da Via Dutra, entre Volta Redonda e Resende, guarda a origem de uma das fortunas mais discretas do Rio de Janeiro. Foi lá que a família Monteiro da Costa construiu, ao longo de quase um século, um império empresarial que passou despercebido pela maioria dos brasileiros, mas que faz parte da lista de bilionários da Forbes.

A história começa em 1949, com a fundação da Companhia Fluminense de Refrigerantes, engarrafadora da Coca-Cola, instalada num prédio histórico de 1879 que antes havia abrigado o Engenho Central de Porto Real e outras indústrias de açúcar, álcool e cachaça. O casarão, assinado por arquitetos franceses, virou o coração econômico da cidade. Um estudo acadêmico chegou a falar em “um século de dependência” entre Porto Real e os negócios da família.

Nos anos 1960, Renato Monteiro da Costa, pai de Luiz Eduardo, comprou a engarrafadora e construiu a partir dela um grupo empresarial que virou sinônimo da própria cidade.

Em 1992, o grupo expandiu para o setor financeiro com a fundação do Banco Porto Real, que começou como banco comercial e se converteu em banco de investimento em 2001. A família acumulou ainda uma rede de postos de combustíveis e propriedades imobiliárias e agrícolas no estado do Rio.

O grande negócio da vida — e o fim da fábrica

Em 2013 veio a operação mais expressiva da trajetória da família. A Coca-Cola FEMSA — gigante mexicana e maior engarrafadora de Coca-Cola do mundo — pagou US$ 448 milhões pela Companhia Fluminense de Refrigerantes. A empresa vendia 56 milhões de caixas de bebidas por ano. A venda colocou Luiz Eduardo na lista de bilionários da Forbes, com patrimônio estimado em R$ 1,1 bilhão.

O desfecho da fábrica foi melancólico para a cidade. Em 2016, a FEMSA desligou as linhas de produção de Porto Real e demitiu mais de 200 funcionários. Em 2023, parte da fachada do prédio histórico desabou. O casarão de 1879, que por décadas foi o símbolo industrial de Porto Real, virou ruína.

A família, porém, já estava longe, administrando o restante dos negócios com a mesma discrição de sempre. Luiz Eduardo nunca deu entrevistas, nunca apareceu em público e nunca buscou os holofotes que sua fortuna poderia atrair.

Tags: Banco Porto RealdestaquesNubank
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