Animal foi encontrado neste domingo às margens da rodovia entre Barra Mansa e Bananal; trecho corta fragmentos de Mata Atlântica e registra circulação frequente de animais silvestres
Barra Mansa – Uma irara (Eira barbara) foi encontrada morta neste domingo (23) às margens da RJ-157, a Rodovia Engenheiro Alexandre Drable, que liga Barra Mansa (RJ) a Bananal (SP). O animal estava no acostamento da pista sentido São Paulo, cerca de 500 metros da entrada da Fazenda da Bocaina. Pelas condições em que o animal foi localizado, a suspeita é de atropelamento recente, possivelmente ocorrido nas últimas 24 horas. O caso chama atenção para a circulação de animais silvestres ao longo da rodovia. A RJ-157 atravessa uma região rural com remanescentes de Mata Atlântica nos dois lados da pista, fazendo com que diferentes espécies precisem cruzar a estrada em busca de alimento, água, abrigo e outras áreas de floresta. No trecho são observados animais como onça parda, lobo guará, iraras, cachorros-do-mato, raposinhas, primatas, tamanduás, tatus e diferentes espécies de serpentes. A fragmentação da vegetação por estradas é apontada por órgãos ambientais como um dos fatores que aumentam o risco de atropelamento da fauna. O período de seca exige atenção ainda maior. Com menor disponibilidade de água e alimento em determinadas áreas, animais podem ampliar seus deslocamentos, aumentando a possibilidade de cruzamentos de rodovias.

Irara faz parte da fauna da Mata Atlântica
A irara é um mamífero carnívoro da família dos mustelídeos, grupo que também inclui lontras e furões. A espécie possui ampla distribuição e sua ocorrência é documentada em remanescentes de Mata Atlântica do Estado do Rio de Janeiro. Com corpo alongado e cauda comprida, a irara tem facilidade para circular pelo solo e pelas árvores. Sua alimentação inclui pequenos animais e frutos, o que lhe confere importância nas relações ecológicas da floresta. Embora não esteja entre as espécies brasileiras mais ameaçadas, a morte de animais em rodovias merece atenção, principalmente em regiões onde a Mata Atlântica está dividida em fragmentos. Nesses locais, as estradas podem funcionar como barreiras entre habitats. O registro também reforça a importância de monitorar os pontos da RJ-157 com maior circulação de fauna. Levantamentos desse tipo permitem identificar áreas críticas e avaliar medidas como sinalização específica, controle de velocidade, cercamento e passagens de fauna. Essas estruturas já são empregadas em rodovias brasileiras para permitir a circulação dos animais entre áreas de vegetação e reduzir o contato com veículos. Para quem trafega pela RJ-157, a orientação é manter atenção redobrada, principalmente no início da manhã, no fim da tarde e à noite. Ao perceber um animal próximo ou sobre a pista, o motorista deve reduzir a velocidade de forma segura e evitar manobras bruscas.
Fotos e Vídeo: Vinicius Ramos
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