Vítimas relataram juros abusivos, cobranças armadas e pressão psicológica; uma delas chegou a pagar R$ 60 mil sem quitar a dívida
Policiais civis da 166ª DP, sob o comando do delegado-titular Roberto Ramos, prenderam em flagrante na tarde de quarta-feira, dia 27, no Centro de Angra dos Reis, um homem de 37 anos, investigado por prática de extorsão e usura pecuninária (agiotagem). A prisão foi resultado de uma ação rápida da equipe de investigação após denúncia de duas vítimas que vinham sendo reiteradamente constrangidas e ameaçadas pelo autor para quitar supostos débitos com valores muito superiores ao originalmente emprestado.
Uma das vítimas era uma mulher viúva, de 40 anos, em situação de fragilidade financeira após o falecimento do marido. Ela havia solicitado há 9 meses um empréstimo de R$ 1 mil ao autor. Desde então, passou a ser coagida de maneira constante, a fim de que realizasse pagamentos com juros abusivos, que já superavam o montante de R$ 10 mil. O autor chegou a procurar a vítima em seu local de trabalho e posteriormente em sua residência, onde se apoderou de sua geladeira nova, adquirida há apenas seis meses por cerca de R$ 3 mil, como forma de pagamento do valor exigido.
No mesmo dia, uma segunda vítima, um homem de 38 anos, compareceu à delegacia e narrou fatos ainda mais alarmantes. Segundo seu relato, em março de 2023, tomou emprestado R$ 2 mil com o criminoso, pagando desde então juros abusivos de R$ 100 por dia. Em um ano e meio, já teria desembolsado cerca de R$ 60 mil, sem que a dívida fosse quitada. Segundo o agiota, ainda restariam R$ 46 mil.
Esta vítima relatou ainda que teve que vender um imóvel da família, que sua mãe também sofreu pressão e que os cobradores frequentemente apareciam armados, gerando verdadeiro terror psicológico. O trio comparecia à residência da vítima semanalmente, cobrando juros com ameaças veladas de represálias, inclusive contra a filha da vítima.
A Polícia Civil dará continuidade à investigação com o objetivo de identificar outras possíveis vítimas. A população pode colaborar de forma sigilosa com informações sobre esse ou outros casos semelhantes. Denúncias anônimas podem ser realizadas pelo 0300-253-1177.



















