Reunião apontou custos operacionais, organização das equipes e negociação coletiva diante das mudanças na jornada de trabalho
Os desafios da redução da jornada de trabalho e da adaptação das empresas à escala 5×2 estiveram no centro da reunião de diretoria da Fecomércio RJ, realizada nesta quarta-feira (21/10). Aberto pelo presidente Antonio Florencio de Queiroz Junior, o encontro contou com a participação dos consultores da federação Carlos Américo Freitas Pinho e Jacqueline Lippi, além do consultor convidado Ronald Sharp.
O debate abordou os efeitos das mudanças sobre os custos operacionais, a organização das equipes e os horários de funcionamento, considerando as particularidades do comércio de bens, serviços e turismo.
“Está todo mundo com uma série de dúvidas. E isso é causado pela falta de discussão e pelo açodamento para aprovar o fim da escala 6×1”, ressaltou o presidente Antonio Florencio de Queiroz Junior.
Entre os temas analisados estiveram a implementação da jornada de 42 horas semanais, com dois dias de repouso semanal remunerado, e a posterior redução para 40 horas. Os consultores destacaram que os impactos serão distintos conforme a atividade econômica, o regime de remuneração, o tamanho das equipes e as necessidades de operação de cada estabelecimento.
“O momento exige planejamento e análise cuidadosa dos impactos da nova jornada, especialmente diante do prazo curto para adaptação. A orientação é buscar soluções juridicamente seguras, respeitando as particularidades de cada setor”, destacou Jacqueline Lippi.
A organização dos períodos de descanso também recebeu atenção. Durante o encontro, foi esclarecido que os dois dias de repouso não precisam, necessariamente, ser consecutivos ou coincidir com sábados e domingos. A definição das folgas deverá observar as regras aplicáveis, os instrumentos coletivos e as características de cada atividade, assegurando o cumprimento dos períodos legais de descanso.
Nesse contexto, a negociação coletiva foi apontada como instrumento fundamental para conciliar a adequação às novas regras com a continuidade das atividades empresariais. Acordos e convenções coletivas poderão contribuir para organizar escalas e estabelecer soluções compatíveis com a realidade dos diferentes segmentos, especialmente daqueles que funcionam todos os dias ou mantêm operações contínuas.
“A negociação coletiva será fundamental para ajudar as empresas a se adaptarem às mudanças na jornada de trabalho. Cada atividade tem suas particularidades, e é preciso avaliar a operação de cada negócio para encontrar alternativas. O diálogo entre sindicatos patronais e laborais será essencial nesse processo”, afirmou Carlos Américo Freitas Pinho.
Os consultores ressaltaram, ainda, que não é possível estabelecer um percentual único de aumento dos custos, pois os efeitos dependerão da estrutura e da dinâmica de cada empresa. A orientação é mapear as equipes, identificar os períodos de maior demanda e avaliar a necessidade de ajustes nas escalas e nos processos internos antes de assumir novas despesas.
Diante do prazo de adaptação, a Fecomércio RJ reforçou a importância de buscar orientação técnica e de manter a interlocução com os sindicatos patronais. Como desdobramento do encontro, a federação prevê a realização de reuniões regionais com os sindicatos e seus associados para esclarecer dúvidas, aprofundar a análise dos impactos e discutir alternativas.
A iniciativa integra a atuação da Fecomércio RJ para apoiar os empresários na transição, fortalecer a negociação coletiva e contribuir para soluções que conciliem segurança jurídica, respeito aos direitos dos trabalhadores e sustentabilidade das empresas.



















