Split payment mudará a forma de recolhimento de tributos e deve impactar o capital de giro de empresários e prestadores de serviços
Novo modelo começa a ser implantado em janeiro e promete mudar a forma de recolhimento de impostos, reduzindo o capital de giro das empresas e exigindo adaptação de comerciantes, prestadores de serviços e profissionais liberais
A maior mudança no sistema tributário brasileiro das últimas décadas já tem data para começar a impactar diretamente a rotina das empresas. A partir de janeiro de 2027, entra em operação a primeira fase prática da Reforma Tributária, trazendo mudanças que exigirão preparação antecipada de empresários, comerciantes, indústrias, prestadores de serviços e profissionais liberais.
Entre todas as alterações, uma tem despertado maior preocupação entre especialistas em gestão tributária: o split payment, mecanismo que fará com que parte do imposto devido seja retida automaticamente no momento do pagamento da venda, antes mesmo de o dinheiro chegar à conta da empresa.
Na prática, quando uma compra for paga por Pix, cartão ou outros meios eletrônicos, o sistema poderá separar automaticamente o valor correspondente aos novos tributos — CBS e IBS — encaminhando esse montante diretamente ao Fisco. O recurso que hoje permanece temporariamente no caixa das empresas até o vencimento do imposto deixará de existir.
Para milhares de pequenos e médios empresários, essa mudança representa uma alteração significativa na gestão financeira.
Hoje, muitas empresas utilizam esse intervalo entre o recebimento da venda e o pagamento dos tributos como capital de giro para financiar estoque, folha de pagamento e despesas operacionais. Com o split payment, esse fluxo financeiro tende a mudar completamente.
Período de adaptação
Embora a Reforma Tributária tenha um cronograma de transição que se estenderá até 2033, especialistas alertam que 2027 marcará o início das adaptações mais relevantes para o mercado.
Além do split payment, começa a implantação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal que substituirá PIS e Cofins. Também entram em funcionamento novas regras relacionadas ao aproveitamento de créditos tributários e à forma de emissão de documentos fiscais.
Outro ponto que exigirá atenção das empresas enquadradas no Simples Nacional será a necessidade de avaliar qual modelo tributário será mais vantajoso diante das novas possibilidades previstas pela reforma.
Profissionais liberais que hoje atuam como pessoa física também deverão acompanhar as mudanças. Em alguns casos, dependendo da atividade exercida e do faturamento, poderá haver necessidade de reorganização da forma de tributação e emissão de notas fiscais.
Planejamento passa a ser prioridade
Especialistas recomendam que empresários não deixem para discutir o tema apenas quando as novas regras entrarem em vigor.
Será necessário revisar sistemas de gestão, softwares fiscais, fluxo de caixa, precificação, contratos com fornecedores e clientes, além de capacitar equipes administrativas e contábeis.
A recomendação é que empresas iniciem ainda este ano um planejamento conjunto com seus contadores para simular os impactos financeiros das novas regras e evitar problemas de caixa durante a transição.
Apesar de boa parte da regulamentação já ter sido aprovada, alguns detalhes operacionais — como percentuais definitivos de alíquotas e aspectos técnicos da implantação do split payment — ainda dependem da conclusão da regulamentação e de atos complementares do governo federal.



















