Enquanto o Brasil debate vídeo de influenciador no Paraná, moradores do Sul Fluminense revelam relatos de avistamentos que atravessaram décadas — e um jornal de 1969 comprova que a história é antiga
Sul Fluminense
O Brasil inteiro ainda debate o vídeo gravado pelo influenciador Mayk Leão, no Paraná, que afirma ter registrado uma nave extraterrestre no céu. Enquanto isso, no Sul Fluminense, moradores de Resende, Itatiaia e Porto Real foram às redes sociais contar que a história não é nova por aqui. Muito antes da internet, antes dos celulares, antes dos vídeos virais, a região já tinha seus próprios casos — e pelo menos um deles virou manchete de jornal.
Em 10 de junho de 1969, o jornal A Lira, de Resende, publicou em sua primeira página: “Disco Voador Desceu em Resende”. O relato era de Sebastião Oscarino, operário de cerca de 30 anos que afirmava ter presenciado, numa tarde de domingo de maio, a descida de uma nave estranha no lugarejo de Santo Antônio, no bairro Bulhões. Segundo o texto publicado na época, do objeto saltaram duas figuras de aproximadamente 1,20 metro de altura, com um olho só no centro da testa. Sebastião teria sido levado para dentro da nave. Outros moradores relataram luzes e marcas estranhas no alto do morro da região.

A história ficou guardada na memória dos mais velhos — e agora voltou à tona. A Prefeitura de Resende resgatou a edição histórica do jornal A Lira e publicou no Instagram oficial do município, com trilha sonora da série Arquivo X. A repercussão foi imediata: mais de 100 comentários e 131 compartilhamentos em menos de 24 horas.
Nos comentários, uma avalanche de relatos. “Meu avô era vizinho do cara que eles abduziram. Amigos de infância”, escreveu um usuário. “Meu pai, o saudoso Miguelzinho do Paraíso, contava que uma família na rua Agenor Marcondes Godoy viu uma nave sobrevoar a casa deles. Acredito que foi em 1972, 73”, disse outro. Uma moradora de Bulhões lembrou que “os mais velhos sempre se reuniam para conversar sobre o disco voador”.

Alguém de Porto Real afirmou conhecer três pessoas que dizem ter visto ovnis na cidade, incluindo uma que relatou uma “nave gigantesca do tamanho de um boeing, só que redonda”.
Itatiaia também entrou na lista. Uma moradora relatou nos comentários um caso de 1970, na represa da cidade: um segurança teria avistado um objeto em formato de charuto, de cerca de dois metros, que ao ser confrontado teria lançado luzes nos olhos do homem, deixando-o paralisado e temporariamente cego. “Não me lembro o nome do segurança, mas era algo como Armildo. Se jogarem na internet vão encontrar jornais que mencionaram o caso na época”, escreveu a internauta.

Na semana passada, o próprio Instagram do Folha do Interior recebeu o relato de uma moradora que afirmou ter avistado um objeto estranho no céu de Itatiaia em maio deste ano, em meio à onda de avistamentos que tomou conta do país após o caso do Paraná.
“Sem internet, só boca a boca — e viralizava melhor que internet”, resumiu com humor um dos comentaristas do post da Prefeitura de Resende. A frase diz muito sobre o peso dessas histórias na memória da região.
O fato é que, enquanto o Brasil corre para o Paraná atrás de respostas, o Sul Fluminense carrega suas próprias perguntas há mais de meio século. E a manchete de 1969 ainda está lá, amarelada, para provar.




















