Projetos de lei buscam combater desigualdade salarial, ampliar o acesso de recém-formadas e garantir mais representatividade feminina em cargos de liderança
Nos últimos anos, as mulheres têm mostrado uma presença crescente no mercado de trabalho brasileiro, mas ainda enfrentam desafios significativos. A taxa de desemprego das mulheres, embora tenha diminuído nos últimos anos, segue sendo superior à dos homens. De acordo com dados recentes, a ocupação no Brasil aumentou em 8,1 milhões, sendo que 4,2 milhões desse total são mulheres. A renda delas também apresentou um avanço de 15,6%, mas a histórica desigualdade salarial ainda persiste. Mulheres, em média, ganham 21% a menos que os homens, refletindo as barreiras ainda enfrentadas.
Outro dado alarmante é que, mesmo com um mercado de trabalho mais favorável, a participação das mulheres de 14 anos ou mais na força de trabalho estagnou desde 2021. Ao final de 2024, enquanto 53,1% das mulheres estavam empregadas ou em busca de uma vaga, a taxa masculina era de 72,7%. Esses números evidenciam as desigualdades ainda existentes e os obstáculos para as mulheres, principalmente em setores específicos, como o da saúde.
O cenário se agrava ainda mais no campo da enfermagem, profissão majoritariamente feminina. A presença da mulher nesse setor é significativa, com dados que indicam que as mulheres representam cerca de 85% dos profissionais de enfermagem no Brasil. No entanto, mesmo com o aumento da demanda por serviços de saúde, as oportunidades de emprego e a valorização dessa classe de trabalhadoras são limitadas, sobretudo para as recém-formadas.
Projeto de Lei 4629/2025: uma oportunidade para as recém-formadas
Neste contexto, o Projeto de Lei 4629/2025, da deputada Lilian Behring (PCdoB), surge como uma proposta importante para combater esse quadro. O projeto visa facilitar a inserção dos recém-formados no mercado de trabalho, especialmente entre as mulheres, que são a maioria no curso de enfermagem. O PL propõe a criação de mecanismos para que esses profissionais, muitas vezes enfrentando a falta de experiência prática, possam acessar com mais facilidade as vagas de emprego, promovendo a equidade de oportunidades para as mulheres que, com o diploma na mão, muitas vezes não conseguem encontrar uma posição no mercado.
“A ideia é dar uma chance real para as mulheres recém-formadas no curso de enfermagem. Elas são a maioria nas universidades e, portanto, precisam ter um acesso mais facilitado ao mercado de trabalho, para que possam exercer sua profissão e contribuir com o sistema de saúde”, explica Lilian Behring, autora do projeto de lei.
O PL 4629/2025 representa uma tentativa de reduzir a lacuna entre a formação acadêmica e a inserção no mercado, oferecendo suporte para que os profissionais da enfermagem, em geral, possam, de fato, aplicar seus conhecimentos e habilidades no campo prático, com salários justos e condições dignas de trabalho.
Além do PL 4629/2025, Lilian Behring também é autora do Projeto de Lei 4632/2025, que propõe a criação de cotas para mulheres nas direções de hospitais e estabelecimentos de saúde. O projeto visa garantir maior representatividade feminina nos cargos de liderança, permitindo que as decisões nas instituições de saúde reflitam a diversidade da população e das profissionais da área.
Projeto de Lei 4632/2025: a luta por mais mulheres nas direções de hospitais
Além do PL 4629/2025, Lilian Behring também é autora do Projeto de Lei 4632/2025, que propõe a criação de cotas para mulheres nas direções de hospitais e estabelecimentos de saúde. O projeto visa garantir maior representatividade feminina nos cargos de liderança, permitindo que as decisões nas instituições de saúde reflitam a diversidade da população e das profissionais da área.
“A inclusão das mulheres nas posições de liderança é essencial para garantir que as decisões tomadas nas instituições de saúde levem em consideração as necessidades e realidades das profissionais da área, que são, em sua maioria, mulheres. Não podemos mais aceitar a ausência de representatividade feminina nas direções dos hospitais”, afirma a deputada.
Esses dois projetos de lei têm um impacto direto na inserção das mulheres no mercado de trabalho e na sua valorização profissional, principalmente em setores predominantemente femininos, como a enfermagem. Eles representam uma tentativa de mudança estrutural, promovendo mais igualdade e oportunidades para as mulheres que, mesmo com a formação adequada e a experiência prática, ainda enfrentam grandes desafios para ingressar no mercado de trabalho e alcançar cargos de liderança.



















