Augusto Nardes aponta rombo de R$ 404 bilhões na Previdência, denuncia R$ 326 bilhões em despesas fora do Orçamento e compara situação fiscal do governo Lula às pedaladas do governo Dilma Rousseff
Brasília — O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, fez um alerta sobre o futuro das finanças públicas brasileiras e afirmou que o país poderá enfrentar dificuldades para pagar aposentadorias nos próximos anos. Em vídeo divulgado nas redes sociais na quarta-feira (21), ele apontou um déficit superior a R$ 404 bilhões na Previdência Social e denunciou a existência de R$ 326 bilhões em despesas que, segundo sua avaliação, estariam sendo realizadas fora do Orçamento federal.
As declarações representam uma crítica à condução da política fiscal do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nardes também comparou o cenário atual às chamadas pedaladas fiscais identificadas durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, episódio que marcou a crise política e econômica de 2015 e 2016.
O ministro afirmou que a continuidade dos desequilíbrios pode comprometer a sustentabilidade do sistema previdenciário e a capacidade do governo de honrar compromissos futuros.
“Como está, não haverá aposentadoria porque não temos mais economia suficiente para pagar nem os aposentados hoje e quem dirá futuramente”, declarou.
A advertência não significa que o pagamento das aposentadorias será interrompido. Trata-se de uma avaliação do ministro sobre os riscos de longo prazo das contas públicas. Não há anúncio oficial de suspensão de benefícios previdenciários.
Gastos fora do Orçamento preocupam ministro
Outro ponto central das declarações de Nardes é o que ele classifica como desorçamentação, expressão utilizada para descrever despesas realizadas fora da estrutura tradicional do Orçamento federal.
Segundo o ministro, essas operações já alcançariam R$ 326 bilhões e estariam agravando o desequilíbrio fiscal brasileiro.
“A situação se torna cada vez mais grave porque foi feita uma desorçamentação. Ou seja, gastar por fora. Atualmente, já estamos em R$ 326 bilhões”, afirmou.
Na avaliação de Nardes, a falta de transparência e o crescimento dos compromissos fiscais comprometem a confiança de investidores internacionais, dificultam a entrada de recursos estrangeiros e reduzem a capacidade de crescimento da economia.
O ministro chegou a afirmar que a economia nacional estaria entrando em um processo de colapso, expressão utilizada por ele para demonstrar a gravidade que atribui à situação.
Os valores apresentados na gravação, entretanto, não vieram acompanhados de detalhamento suficiente sobre a composição das despesas, os períodos considerados e os critérios de cálculo. A existência de despesas fora do Orçamento tradicional também não caracteriza, isoladamente, uma irregularidade.
Nardes compara Lula às pedaladas de Dilma
O ministro voltou a mencionar sua atuação em 2015, quando foi relator, no TCU, do processo que examinou as chamadas pedaladas fiscais do governo Dilma Rousseff.
Naquele período, o tribunal analisou atrasos em repasses do Tesouro Nacional a bancos públicos responsáveis pelo pagamento de programas governamentais. As operações foram consideradas irregulares e integraram o debate jurídico e político que antecedeu o impeachment da então presidente.
Nardes afirmou que práticas semelhantes estariam voltando a ocorrer na administração federal.
“Houve manipulação lá atrás, nas contas da presidente, e voltou a acontecer”, declarou.
A comparação representa uma acusação do ministro, mas não equivale a uma conclusão formal do TCU de que o governo Lula tenha cometido as mesmas irregularidades. Essa caracterização depende de análise técnica das operações e de decisões dos órgãos competentes.
Previdência enfrenta pressão crescente
O déficit previdenciário citado por Nardes reforça o debate sobre a capacidade de financiamento das aposentadorias e pensões no Brasil.
O envelhecimento da população, o crescimento das despesas obrigatórias e a necessidade de ampliar a arrecadação estão entre os fatores que pressionam o sistema.
Um resultado previdenciário negativo significa que as receitas consideradas no cálculo não foram suficientes para cobrir as despesas do período. Isso, entretanto, não significa que o sistema tenha deixado de pagar benefícios, uma vez que o financiamento também envolve recursos públicos previstos na legislação orçamentária.
A preocupação levantada pelo ministro está relacionada à capacidade de manter esse financiamento no futuro, diante da expansão das despesas e das limitações fiscais.
Alerta ocorre em meio à disputa presidencial
As declarações foram divulgadas na reta final da campanha presidencial, a poucos dias do segundo turno, marcado para domingo (25).
O pronunciamento amplia o debate sobre a situação fiscal do país, a trajetória da dívida pública e os desafios que o próximo governo enfrentará para conciliar programas sociais, pagamento de aposentadorias, investimentos e equilíbrio das contas federais.
Nardes também anunciou que pretende antecipar sua aposentadoria do Tribunal de Contas da União para o fim de 2026.
As manifestações do ministro são feitas em caráter individual e não representam, por si só, uma decisão institucional do TCU sobre as contas do atual governo.



















