Encontro debateu sobre IA da sala de aula ao mercado da Comunicação
A Inteligência Artificial já entrou nas redações, nas agências e nos processos de criação, planejamento e análise de conteúdo. Mas até onde ela pode ir? O que o mercado espera dos novos profissionais? E, principalmente, o que continua dependendo da capacidade humana de criar, interpretar e tomar decisões?
Perguntas como essas, levantadas pelos próprios estudantes em sala de aula, deram origem ao “Entre Prompts e Pautas – I Simpósio de Jornalismo, Publicidade e Inteligência Artificial da Escola de Comunicação do UniFOA”. A proposta foi colocar futuros jornalistas e publicitários frente a frente com profissionais que já convivem com essas transformações no mercado.
O encontro reuniu três profissionais do Jornalismo e três da Publicidade: Diego Gavazzi, editor-chefe da TV Rio Sul; Jorge Pereira, coordenador do G1 e da TV Rio Sul; Vinicius Ramos Pereira, editor-chefe dos jornais Diário do Vale e Folha do Interior; Frank Borges, Head de Marketing da FBA Consultoria e Negócios e da Eureka Comunicação e consultor de Marketing e Vendas do Sebrae-SP; Camile Teixeira, fundadora e diretora de Marketing e Estratégia da Una Marketing; e Renan Barbosa, fundador da Cut Creative.
Para o professor Edilberto Venturelli, a escolha de profissionais que atuam diretamente no mercado permitiu aproximar as discussões acadêmicas daquilo que estudantes encontrarão ao buscar estágios e as primeiras oportunidades profissionais.
“Queríamos ouvir quem está no mercado, quem muitas vezes contrata ou orienta quem chega como estagiário ou novo profissional. Academicamente, sabemos os cuidados que precisamos ter com a IA, mas queríamos entender também como ela está sendo percebida e utilizada no mercado”, explicou.
A discussão passou por possibilidades, limites e impactos da IA nas rotinas de Jornalismo e Publicidade. Ferramentas que já participam de etapas como pesquisa, produção, edição, planejamento e análise de dados também levantam questões relacionadas à autoria, ética, criatividade e às competências que continuarão sendo exigidas dos profissionais da Comunicação.
Mais de 160 estudantes participaram do simpósio. Segundo Edilberto, a quantidade de perguntas e a procura pelos convidados mesmo depois do encerramento mostraram que o tema já faz parte das preocupações de quem está se preparando para entrar no mercado.
“Tivemos muitas perguntas, questionamentos e dúvidas. Vi alunos anotando, gravando respostas e, ao final do debate, vários foram conversar com os profissionais para perguntar um pouco mais. Era um assunto que eles já vinham nos pedindo de alguma forma”, contou.
O protagonismo dos estudantes também apareceu na condução do encontro. Gabriela dos Santos Vidal, do 5º período de Publicidade e Propaganda, e Natália Marques, estudante de Jornalismo, assumiram a mediação do simpósio, experiência que colocou as próprias acadêmicas no centro do diálogo com os convidados.
Para Gabriela, a participação do público foi um dos pontos que mais chamaram sua atenção.
“Geralmente os alunos não tendem a querer falar ou participar muito em palestras. Ver tantas pessoas querendo falar e esclarecer suas dúvidas foi bem legal”, afirmou.
A estudante também reconhece que a chegada da Inteligência Artificial ao mercado provoca insegurança em quem está começando a carreira, mas vê na criatividade humana um elemento que permanece central para a profissão.
“Dá medo vivenciar o mundo da IA sendo comunicadora. Mas precisamos entender que nenhuma máquina ou IA poderá substituir nossa criatividade humana”, disse.
Para Edilberto, justamente aí está um dos principais desafios da formação: incorporar novas ferramentas sem permitir que elas assumam o lugar do desenvolvimento intelectual e criativo do estudante.
“A IA não pode virar uma bengala e fazer com que o aluno deixe toda a parte criativa para ela. Pode ajudar a estudar, organizar informações e otimizar algumas situações, mas o estudante precisa continuar escrevendo, criando, discutindo e desenvolvendo análise crítica”, afirmou.
Segundo o professor, saber utilizar uma ferramenta tecnológica também depende do repertório de quem está diante dela.
“Quem lê, é criativo, debate e conversa com pessoas terá condições de fazer perguntas melhores e utilizar a IA de outra maneira. Ela não é futuro, ela já é presente. Por isso precisamos aprender a usá-la de forma consciente, em determinados momentos, mas não em tudo e para tudo”, completou.
Para Gabriela, a experiência também trouxe um desafio pessoal. A mediação foi sua primeira participação nesse papel em um simpósio.
“Estava muito nervosa, mas acredito que não será o último. Amei fazer parte e isso me encorajou a querer estar cada vez mais presente nas atividades acadêmicas do curso”, contou.
Levar para o debate uma inquietação que começou dentro da sala de aula, o simpósio colocou estudantes, professores e profissionais diante de uma transformação que já está acontecendo. A questão deixou de ser se a Inteligência Artificial fará parte da Comunicação. Para quem está se formando agora, o desafio é compreender como utilizá-la sem abrir mão justamente das capacidades que continuam sendo humanas: repertório, criatividade, senso crítico e responsabilidade sobre aquilo que se comunica.



















