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Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística aponta que decisão do STF pode afetar setor de transporte de cargas rodoviário

Vinicius Ramos by Vinicius Ramos
15 de setembro de 2023
em País
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Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística aponta que decisão do STF pode afetar setor de transporte de cargas rodoviário

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Entidade aponta para a possibilidade de que as viagens fiquem mais demoradas e que seja necessário aumento de frota para manter o nível de operação existente

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar inconstitucionais pontos da Lei do Motorista (13.105/2015), a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) avalia que tal decisão vai afetar significativamente o setor de transporte de cargas rodoviário, que atualmente é o mais importante modal do país. A NTC&Logística aponta para a possibilidade de que as viagens fiquem mais demoradas e que seja necessário aumento de frota para manter o nível de operação existente.

Também é esperado um maior passivo trabalhista e previdenciário, conforme aponta o assessor jurídico da NTC&Logística, Narciso Figueroa, pois isso  levará as empresas a rever os controles de jornada, reorganizar as operações, recalcular os custos, renegociar contratos com os clientes e, inevitavelmente, aumentar o preço dos fretes.  

“Por fim, o repasse do custo para o consumidor final, porque o setor transportador não pode assumir sozinho esse aumento de custo. Ele tem que repassar para o cliente e o cliente para o consumidor final, porque trata-se de uma cadeia produtiva”, ressalta. 

O deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS) disse que o setor de transporte de cargas do país não suportará as consequências da decisão do STF. Segundo o parlamentar, o parecer da corte pode ser juridicamente acertado, mas do ponto de vista prático é “absolutamente infeliz” e “desorganiza completamente o setor”. “É irresponsabilidade julgar algo que no dia seguinte as consequências geradas são inexequíveis. Por mais que as empresas quisessem, não tem como executar a exigência que a decisão gerou. É uma decisão que só gera problema. O transporte brasileiro não suporta essa regulamentação”, criticou. 

Entenda o caso

O STF julgou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que questionava vários trechos da legislação que se aplica aos motoristas do setor. Os ministros decidiram pela suspensão de quatro pontos. 

Antes, o tempo de espera, ou seja, o período em que o motorista ficava aguardando carga, descarga ou fiscalização da mercadoria, não era contabilizado como jornada de trabalho ou hora extra. Por esse período, os trabalhadores eram indenizados em 30% do valor da hora regular. 

Segundo o STF, o tempo de espera faz parte da jornada de trabalho e serve para o cômputo de horas extras. Para o assessor jurídico da NTC&Logística, a mudança vai encarecer a atividade. 

“O primeiro impacto disso para as empresas será um aumento de custo, tendo em vista que haverá necessidade de pagar mais horas extras. A possibilidade de contratação de mais empregados é possível, porque em determinadas operações talvez seja necessário trocar a equipe, se a empresa tiver condição”, avalia. 

O STF também considerou inconstitucional o fracionamento do intervalo interjornadas. De acordo com a decisão, dentro das 24 horas de trabalho, o motorista deverá parar para descansar por 11 horas seguidas. 

A lei permitia ao trabalhador aproveitar o repouso diário em um período de oito horas ininterruptas e distribuir as três horas restantes ao longo das 16 horas seguintes. 

O Descanso Semanal Remunerado (DSR) também foi revisto. De acordo com a lei, nas viagens com duração maior do que sete dias, o motorista tem assegurado descanso de 24 horas que, agora, vai se somar às 11 horas ininterruptas do repouso diário, totalizando 35 horas seguidas. 

O dispositivo que permitia aos motoristas acumularem até três descansos semanais consecutivos, totalizando 105 horas, também foi vedado pelos ministros, assim como a possibilidade de o trabalhador usufruir do repouso semanal quando retornar à base da empresa ou ao seu domicílio. 

Para Figueroa, a decisão prejudica os motoristas. “Foi utilizado como fundamento o fato disso privar o motorista de maior tempo com a família. E, na verdade, o que vai acontecer é exatamente isso. Na medida que ele tiver que ficar descansando 35 horas onde ele estiver, ele vai ficar mais tempo longe da família, porque a viagem será mais demorada”, destaca. 

A corte também invalidou trecho que permitia a possibilidade de o repouso semanal ser realizado dentro do veículo em movimento, nos casos de dois motoristas trabalhando no mesmo caminhão.

Agora, o tempo em que um deles está dirigindo e o outro está dormindo na cama da cabine ou descansando é considerado jornada de trabalho para ambos. Ou seja, se um caminhão trafegar por 12 horas, mesmo que cada funcionário dirija por seis horas, deverão ser computadas 12 horas de trabalho para cada motorista.  



Fonte: Brasil 61

Tags: Associação Nacional do Transporte de Cargas e LogísticaBrasildecisãoSTFtransporte de cargas
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