Por Gabriel Barbosa – secretário de Cultura, Audiovisual e Economia Criativa de Barra do Piraí
O audiovisual possui a característica de ser, simultaneamente, uma expressão cultural fundamental, mas também como uma das indústrias mais dinâmicas da economia contemporânea. Em um cenário marcado pela expansão das plataformas de streaming, pela diversificação de formatos e pela crescente demanda por conteúdo, cidades passaram a disputar produções como parte de suas estratégias de desenvolvimento. Atualmente, Barra do Piraí passa a ocupar esse debate não como promessa, mas como território em movimento e como um futuro que se realiza no presente.
A criação da Film Commission do município, em parceria com a RioFilme, inaugura uma nova etapa. Mais do que um instrumento técnico, trata-se de um posicionamento político: o audiovisual passa a ser tratado como vetor de desenvolvimento econômico, geração de emprego, afirmação cultural e projeção da cidade para além de suas fronteiras geográficas.
Uma Film Commission organiza, articula e viabiliza as condições necessárias para que produções audiovisuais, sejam elas de pequeno ou grande porte, sejam realizadas. Ao reduzir a burocracia e facilitar a realização de filmagens, ela conecta o território a produtores, empresas e projetos que movimentam uma cadeia ampla: da hotelaria ao transporte, da alimentação aos serviços técnicos especializados.Os efeitos já conhecidos em outras cidades deixam de ser uma abstração distante e passam a orientar decisões concretas no presente. É o caso do Rio de Janeiro, Búzios, Paraty, Maricá e Niterói, para ficarmos apenas no estado do Rio de Janeiro. Porém, o movimento que se inicia em Barra do Piraí não se limita à criação de uma estrutura de facilitação. Ele se insere em uma visão mais ampla de política pública, que entende o audiovisual como um sistema integrado. Essa construção já se desenha a partir de quatro frentes que se articulam.
A primeira é a formação. A estruturação de uma escola técnica de audiovisual deixa de ser apenas uma ideia e passa a compor o horizonte imediato das políticas educacionais e culturais do município. Formar profissionais localmente significa abrir caminhos para jovens, fortalecer a economia criativa e garantir que o desenvolvimento do setor se enraíze no território.
A segunda é a memória. O avanço da implantação do Museu da Imagem e do Som consolida uma dimensão muitas vezes negligenciada nas políticas de desenvolvimento: a identidade. Preservar, organizar e ativar acervos não é apenas olhar para o passado, mas produzir sentido e valor para o presente, inclusive do ponto de vista turístico e educativo.
A terceira é a produção. A Film Commission opera como elo entre o território e o mercado, atraindo projetos e criando condições para que o audiovisual circule, gere renda e produza impacto direto na economia local.
A última, não menos importante, é a valorização da cena de exibição e distribuição cinematográfica, encarnada no Festival de Cinema do Interior, que será realizado em abril de 2027 e transformará a cidade em um ponto de encontro do cinema nacional, sobretudo daquele que é produzido fora dos grandes centros urbanos e capitais. É essa articulação que diferencia uma iniciativa pontual de uma política estruturante.
Entre os dias 26 e 31 de maio, participei das atividades, painéis e encontros da Rio2C, o maior evento de criatividade da América Latina. Lá, apresentei e reafirmei Barra do Piraí e o interior fluminense como uma fronteira de novas oportunidades econômicas, sociais, criativas e inventivas.Barra do Piraí reúne condições objetivas para ocupar um novo lugar no mapa do audiovisual fluminense. Sua localização estratégica, diversidade de paisagens, patrimônio histórico e custos competitivos deixam de ser apenas potenciais e passam a ser ativos mobilizados por uma política em curso. O que está em jogo não é uma aposta no futuro, mas a consolidação de um caminho que já começou a ser construído. Além de atrair produções, Barra do Piraí passa a organizar um ambiente capaz de formar profissionais, preservar sua memória e gerar desenvolvimento a partir do audiovisual. É nesse movimento integrado que reside a força de uma política pública consistente: aquela que não apenas responde a oportunidades, mas cria as condições para que elas se tornem permanentes.



















