Grupo entrou em recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em dívidas e prevê fechar 298 lojas; impacto pode chegar ao emprego, comércio e mercado imobiliário da região
SUL FLUMINENSE
A recuperação judicial do Grupo Casas Bahia acendeu um alerta no Sul Fluminense. A rede mantém presença em importantes cidades da região, como Volta Redonda, Barra Mansa, Resende, Barra do Piraí e Angra dos Reis, e passa pela maior reestruturação de sua operação nos últimos anos.
O grupo entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. O processo envolve bancos, fundos, fornecedores, proprietários de imóveis e trabalhadores. Desse total, aproximadamente R$ 754 milhões correspondem a dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões a créditos de micro e pequenas empresas.
A situação financeira se agravou após a companhia registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Desconsiderando efeitos contábeis não recorrentes, o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões.
298 lojas serão fechadas
Um dos principais pontos da reestruturação é o fechamento de 298 lojas em todo o país. A companhia ainda não divulgou uma relação consolidada que permita identificar quantas unidades do Sul Fluminense estão entre as atingidas.
Antes da nova redução, o Grupo Casas Bahia informava possuir 132 lojas no Estado do Rio, sendo 90 Casas Bahia e 42 da bandeira Ponto. O estado representava cerca de 12,7% das 1.039 unidades existentes no país naquele levantamento.
O impacto regional dependerá, portanto, da quantidade de lojas que permanecerá em funcionamento.
Empregos preocupam
A redução da rede física também atinge diretamente o emprego. O Grupo Casas Bahia tinha 41,8 mil funcionários em junho de 2023. Em 2026, esse contingente havia caído para pouco mais de 30 mil. A diferença representa aproximadamente 11,7 mil postos de trabalho a menos em três anos.
A Justiça do Trabalho determinou nesta semana o restabelecimento provisório dos contratos de aproximadamente 1,9 mil funcionários demitidos em agosto, após questionamento sobre a falta de negociação sindical antes das dispensas coletivas.
A decisão, porém, não determina a reabertura das 298 lojas. Por isso, ainda existe incerteza sobre o destino desses trabalhadores e sobre novas mudanças na estrutura da companhia.
Comércio e imóveis também podem sentir impacto
O eventual fechamento de lojas no Sul Fluminense pode produzir efeitos além das demissões. As unidades da Casas Bahia normalmente ocupam imóveis de grande porte em áreas comerciais importantes.
A devolução desses pontos pode aumentar a oferta de imóveis comerciais, afetar contratos de aluguel e reduzir o fluxo de consumidores no entorno. Também podem ser atingidos serviços terceirizados de transporte, segurança, limpeza, manutenção e logística.
A questão imobiliária ganhou peso dentro da própria recuperação judicial, que inclui obrigações com proprietários de imóveis e ocorre em um momento em que a companhia já vinha reduzindo sua estrutura física e logística.
Mesmo com o avanço das vendas pela internet, as lojas físicas ainda responderam por 67,6% da receita bruta da companhia em 2025, mostrando a importância da operação presencial para o grupo.
Impacto regional ainda será dimensionado
Até o momento, a Casas Bahia não informou quantas das 298 lojas fechadas estão no Estado do Rio nem quais unidades do Sul Fluminense serão atingidas. Também não há divulgação pública do número de trabalhadores por loja na região.
Esses dados serão fundamentais para dimensionar o efeito da recuperação judicial sobre cidades como Volta Redonda, Barra Mansa, Resende, Barra do Piraí e Angra dos Reis.
A recuperação judicial não significa falência. O mecanismo permite que a empresa continue operando enquanto renegocia suas dívidas. No Sul Fluminense, entretanto, o tamanho da reestruturação coloca empregos, lojas e importantes pontos comerciais no centro das atenções.



















