Alienações podem gerar até R$ 18 bilhões e mudar perfil financeiro do grupo
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou que irá avançar, a partir de 2026, em um projeto estruturado de venda de ativos estratégicos com o objetivo de equacionar de forma definitiva a sua estrutura de capital. A decisão foi autorizada pelo Conselho de Administração da companhia e comunicada ao mercado, nesta quinta-feira (15), em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Segundo a empresa, o plano prevê a alienação de ativos considerados relevantes para gerar uma desalavancagem estimada entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, permitindo que o grupo concentre esforços nos segmentos com maior rentabilidade, crescimento e sinergias operacionais. A iniciativa faz parte de uma estratégia de médio e longo prazo que busca fortalecer o balanço da companhia e abrir caminho para um novo ciclo de expansão.
Dentro desse movimento, a CSN já colocou no mercado o controle da CSN Cimentos e uma participação relevante na CSN Infraestrutura, com expectativa de conclusão dos processos até o fim deste ano. As operações estão sujeitas às condições usuais de mercado, incluindo aprovações legais, concorrenciais e regulatórias.
De acordo com a administração, a estratégia de alienações tem potencial para, em até oito anos, dobrar o Ebitda da companhia e levar a alavancagem para um patamar considerado sustentável, em torno de 1 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda — nível visto como saudável por analistas e investidores do setor.
Como parte inicial do plano de desalavancagem, a CSN informou que já realizou, em 2025, a venda de 11% da participação na MRS Logística para a CSN Mineração, operação que movimentou R$ 3,35 bilhões e contribuiu para a redução do endividamento do grupo.
Em comunicado, a companhia destacou que a aprovação do conselho para iniciar os movimentos estratégicos marca um passo importante para reorganizar a estrutura financeira e garantir maior previsibilidade operacional. A CSN reforçou ainda que manterá acionistas e o mercado informados sobre eventuais desdobramentos relevantes, conforme determina a legislação vigente.
Para o mercado, o plano sinaliza um esforço mais contundente da companhia para enfrentar o elevado nível de endividamento acumulado nos últimos anos e reforçar sua posição em um cenário de maior seletividade de investimentos e pressão por eficiência financeira no setor industrial.



















