Grupo pediu cooperação no combate ao crime sem intervenção
Washington, EUA – A decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas está no centro da tensão diplomática que levou um grupo de deputados federais brasileiros a Washington entre os dias três e cinco de junho. A missão, formada pelos deputados Pedro Uczai (Partido dos Trabalhadores/SC), Jandira Feghalli (Partido Comunista do Brasil/RJ), Pedro Campos (Partido Socialista Brasileiro/PE) e André Janones (Rede Sustentabilidade/MG), representou 114 parlamentares de suas bancadas e teve como objetivo apresentar um contraponto às narrativas da direita brasileira junto a instituições americanas.
A classificação das facções como organizações terroristas foi anunciada pelo secretário de Estado americano Marco Rubio, que afirmou que Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital “comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis”. O governo brasileiro vinha resistindo à medida, avaliando que ela poderia abrir caminho para intervenções americanas em território nacional ou sanções em setores econômicos e financeiros.
Foi exatamente esse ponto que os parlamentares foram tratar pessoalmente em Washington. A delegação entregou três documentos a parlamentares e instituições americanas. Um deles solicita cooperação — e não intervenção — no combate ao crime organizado, abrangendo tráfico de armas, tráfico de drogas e monitoramento de recursos. Outro contesta, com base em contribuições de especialistas em economia, as tarifas impostas pelo governo americano ao Brasil, argumentando que elas têm sentido político e carecem de justificativa técnica.
O tema do PIX também entrou na pauta. “A questão do PIX foi abordada com a declaração de que não será aceita qualquer intervenção que inviabilize, fragilize ou dificulte o uso do PIX, considerado uma soberania financeira do povo brasileiro e uma ferramenta moderna para transações financeiras gratuitas, transparentes e lícitas”, afirmou a deputada Jandira Feghalli.
Na sede da Organização dos Estados Americanos, a delegação alertou sobre possíveis intervenções diretas dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro de 2026, crimes no ambiente digital e violência política. Os parlamentares solicitaram o acompanhamento da Secretaria de Fortalecimento da Democracia da organização nas eleições.
Segundo Feghalli, parlamentares americanos demonstraram sensibilidade aos temas apresentados e muitos se comprometeram a tomar iniciativas. “A missão foi concluída com a sensação de dever cumprido e vamos acompanhar os desdobramentos”, finalizou a deputada.



















