Percentual avançou 3,5 pontos desde junho de 2023; comprometimento da renda também atingiu o maior nível da série
País – O endividamento das famílias brasileiras atingiu 82% em junho de 2026, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O percentual é o maior da série apresentada no levantamento e mostra avanço em relação aos últimos três anos.
Em junho de 2023, 78,5% das famílias estavam endividadas. No mesmo mês de 2024, o índice ficou em 78,8% e, em 2025, em 78,4%. Agora, com os 82% registrados em junho de 2026, o crescimento foi de 3,5 pontos percentuais em três anos e de 3,6 pontos na comparação com junho do ano passado.
Os números consideram famílias que possuem algum compromisso financeiro, como cartão de crédito, cheque especial, carnês, empréstimos e financiamentos. Estar endividado, portanto, não significa necessariamente estar com contas atrasadas.
Outro indicador que avançou foi o comprometimento da renda das famílias com dívidas. Dados do Banco Central mostram que o percentual se aproxima de 29%, considerando os compromissos financeiros, e supera 26% quando excluído o crédito habitacional.
O aumento ocorre em um ambiente de crédito mais caro e juros elevados. Segundo o Ministério da Fazenda, entre os fatores associados ao endividamento das famílias estão o crédito caro, a expansão das fintechs e as apostas esportivas.
A inadimplência também alcançou patamar elevado. Dados do Banco Central apontam que a taxa de inadimplência do crédito livre para pessoas físicas chegou a 7,8%, maior nível da série histórica iniciada em março de 2011.
O cenário de aumento das dívidas não está restrito às famílias. Dados da Serasa mostram que o Brasil chegou a aproximadamente 9 milhões de empresas inadimplentes em junho de 2026. Já a dívida líquida ajustada das empresas listadas na Bolsa alcançou R$ 1,359 trilhão, praticamente o dobro dos R$ 719 bilhões registrados em 2020.



















