Polícia Civil investiga se medicamentos de uso restrito foram vendidos a um técnico em radiologia encontrado morto em Barra Mansa e apura suposta participação do suspeito no caso
Um enfermeiro de 41 anos foi preso na manhã desta quarta-feira (15) durante uma operação da Polícia Civil em Volta Redonda. Segundo a corporação, ele é investigado por desviar medicamentos anestésicos de uso restrito do Hospital São João Batista e por suposto envolvimento na morte de um homem de 43 anos, encontrado morto no dia 4 de julho, em Barra Mansa.
A ação foi realizada por agentes da 90ª Delegacia de Polícia (Barra Mansa), que cumpriram mandado de prisão e de busca e apreensão na casa do investigado, além de diligências no Hospital São João Batista. Durante a operação, medicamentos que, de acordo com a investigação, podem ter sido desviados da unidade hospitalar foram apreendidos e serão submetidos à perícia.
A vítima, que trabalhava como técnico em radiologia no Hospital São João Batista, foi encontrada morta em casa, no bairro Santa Rosa.
No decorrer das investigações, a Polícia Civil apurou que o técnico em radiologia não tinha autorização para acessar medicamentos anestésicos de uso controlado. Segundo os investigadores, ele teria adquirido essas substâncias com o enfermeiro preso.
De acordo com a polícia, a análise do telefone celular da vítima revelou conversas que indicam a negociação dos medicamentos e apontam que o enfermeiro teria conhecimento da finalidade para a qual eles seriam utilizados.
Ainda segundo a investigação, em uma das mensagens o suspeito afirma que, caso o medicamento utilizado naquele dia não causasse a morte da vítima, forneceria uma substância ainda mais forte no dia seguinte. Para a Polícia Civil, o conteúdo reforça os indícios de participação do investigado no caso.
As investigações também apontam que o enfermeiro desviava medicamentos anestésicos de uso exclusivo hospitalar, entre eles Fentanil, Midazolam e Propofol, retirados irregularmente do Hospital São João Batista para comercialização clandestina.
Segundo a Polícia Civil, as substâncias são destinadas exclusivamente a procedimentos médicos, especialmente cirúrgicos, e possuem controle rigoroso de armazenamento e utilização.
O enfermeiro poderá responder, conforme o avanço das investigações, pelos crimes de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais, induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio com resultado morte, morte sem assistência e peculato. A responsabilização dependerá da conclusão do inquérito.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar possíveis outros envolvidos no desvio dos medicamentos, incluindo eventuais servidores que possam ter participado do esquema dentro da unidade hospitalar. Também será apurada a extensão da comercialização ilegal das substâncias e todas as circunstâncias da morte da vítima.
O preso foi encaminhado ao sistema prisional e permanecerá à disposição da Justiça. A Polícia Civil recebe informações sobre o caso, de forma anônima, pelo WhatsApp da 90ª DP: (24) 99931-8181.



















