Professor de Ciências Contábeis, Uanderson Rebula, analisa se isenção de impostos trará redução no preço
No último dia 16 de janeiro, o presidente Lula sancionou a Lei Complementar n° 214, a primeira lei que regulamenta a reforma tributária. A reforma está em fase de implementação, visando simplificar o sistema tributário e promover maior eficiência econômica. Entre as mudanças está a decisão de manter carnes bovinas, suínas, ovinas, caprinas e de aves e produtos de origem animal com alíquota zero dentro da cesta básica nacional. Mas o que isso significa para o bolso do consumidor?
O professor do curso de Ciências Contábeis da Estácio, Uanderson Rebula, analisa um dos pontos da reforma que está gerando maior expectativa e que pode impactar na dieta dos brasileiros. Ele responde uma pergunta que muitos vêm fazendo: A carne vai ficar mais barata?
“Atualmente, a carne, como qualquer outro produto, é impactada por impostos como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que é estadual; e o ISS (Imposto sobre Serviços), que é municipal. As alíquotas desses impostos variam dependendo do estado ou município onde o produto é vendido. Com a reforma tributária, esses tributos serão unificados em um só imposto nacional, o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), o que simplificará o sistema, mas vale destacar que a implementação completa será feita de forma gradual, começando em 2026 e só terminando só em 2033”, explica.
Para quem aguarda ansioso a implementação das mudanças que poderão baixar o preço da carne, o especialista observa que, embora a isenção de impostos (alíquota zero) para carnes seja uma boa notícia, o preço final do produto não depende só de impostos. Muitos outros fatores entram na conta, como:
-Dólar: o preço da carne pode subir ou descer dependendo da cotação da moeda americana;
-Oferta e demanda: se a produção for alta e o consumo baixo, os preços tendem a cair, e vice-versa;
-Condições climáticas: eventos como secas ou chuvas intensas podem afetar a criação de gado;
-Renda do consumidor: se as pessoas tiverem menos dinheiro para gastar, o consumo pode cair, forçando uma queda nos preços.
Portanto, na análise do professor da Estácio, mesmo com a alíquota zero, é impossível garantir que a carne ficará mais barata. Nos próximos anos, a tendência é que a isenção do imposto tenha um impacto positivo no preço final, principalmente em estados onde a tributação da carne é mais alta, como São Paulo. Já em regiões onde os impostos sobre carnes são baixos, essa mudança pode ter pouco efeito no valor final para o consumidor.
“Em resumo, o impacto da reforma tributária nos preços da carne será sentido aos poucos, e o consumidor pode esperar algum alívio no bolso, mas sempre com a influência de outros fatores que afetam o mercado”, finaliza Rebula.



















