Grupo ligado ao Comando Vermelho controlava caixa do estabelecimento, impunha ameaças e trocou máquinas de cartão para dominar a movimentação financeira
Barra Mansa
Uma investigação da 90ª DP (Barra Mansa) revelou um esquema de extorsão que ultrapassou a cobrança ilegal de dívidas e avançou sobre o controle direto de um estabelecimento comercial no Sul Fluminense. Agentes da 90ª DP prenderam, nesta quinta-feira (5), um homem de 33 anos e uma mulher de 28 acusados de integrar uma quadrilha de agiotagem que passou a administrar, na prática, uma churrascaria localizada às margens da Rodovia Presidente Dutra, no bairro Vila Ursulino.
De acordo com a apuração policial, o empresário proprietário do local contraiu um empréstimo de R$ 250 mil e quitou integralmente o valor. Mesmo assim, passou a ser submetido a cobranças sucessivas, com valores reajustados de forma arbitrária. Ao longo dos meses, os pagamentos ultrapassaram R$ 800 mil, sem que a dívida fosse considerada encerrada pelo grupo.
Com o avanço das exigências, os criminosos passaram a frequentar diariamente a churrascaria, intimidando funcionários, impondo regras internas e criando um ambiente permanente de pressão. O ponto central do esquema foi a troca das máquinas de cartão do restaurante por equipamentos pertencentes à quadrilha, o que permitiu o monitoramento direto das vendas e o controle do fluxo de dinheiro do negócio.

Funcionários relataram que eram coagidos a continuar trabalhando sob vigilância constante e ameaças. Segundo o depoimento do empresário, as intimidações se estenderam à sua família, com advertências de represálias caso o caso fosse levado às autoridades.
A operação policial foi deflagrada no início da tarde e resultou na prisão do casal dentro do estabelecimento. No momento da abordagem, a mulher estava no caixa do restaurante portando uma pistola carregada. Durante a ação, os agentes apreenderam três carros de luxo, nove máquinas de cartão, quatro celulares, uma arma de fogo, dois carregadores, 38 munições e dinheiro que estava no caixa.
As investigações identificaram outros envolvidos no esquema, incluindo um suspeito com mandado de prisão preventiva em aberto por extorsão. A polícia também apura a origem dos veículos de luxo apreendidos, com a suspeita de que tenham sido obtidos a partir de crimes semelhantes cometidos contra outras vítimas.
O casal foi encaminhado ao sistema penitenciário e permanece à disposição da Justiça. As diligências continuam para localizar os demais integrantes da quadrilha, identificar possíveis novos casos e mapear a dimensão financeira do esquema.
A Polícia Civil reforça que a agiotagem associada à extorsão e à violência configura crime grave e orienta que informações sejam repassadas de forma anônima pelo Disque Denúncia, no WhatsApp (24) 99280-2952.



















