Caso mais recente está na entrega de uniformes escolares para alunos da rede municipal; segundo a prefeitura, contratos firmados em 2023 não foram pagos pela administração anterior; empresas fornecedoras também ficaram sem receber pelos produtos entregues
Barra do Piraí
Alunos da rede municipal de Barra do Piraí chegaram à metade do ano letivo de 2026 sem uniformes. Segundo a Prefeitura, o motivo são dívidas deixadas pela gestão anterior que comprometem a capacidade de investimento do município. De acordo com documentos apresentados pela administração municipal, dois contratos firmados em 2023 geraram débitos que não foram quitados. O primeiro envolve a aquisição de uniformes escolares junto à empresa Vestisul Indústria e Comércio Ltda. Segundo a prefeitura, os produtos foram entregues integralmente em novembro daquele ano, mas o pagamento não foi realizado. O valor original do contrato era de R$ 2.458.033,05 e, com atualização, já ultrapassa R$ 3 milhões. O segundo contrato foi firmado com a empresa Edulab Comércio de Produtos e Equipamentos Ltda, responsável pelo fornecimento de kits escolares. Conforme a Prefeitura, os itens também foram entregues sem que o pagamento fosse efetuado. A dívida inicial de R$ 1.272.953,74 já supera R$ 1,4 milhão com juros e correção monetária. Somados, os débitos ultrapassam R$ 4,5 milhões. Segundo a Prefeitura, as empresas já encaminharam notificações formais com prazos para pagamento e possibilidade de medidas judiciais. A prefeita Katia Miki afirmou que a situação encontrada pela atual gestão é grave. “É uma situação absurda. Encontramos contratos milionários de materiais que foram entregues e não pagos, e hoje precisamos reorganizar as contas da Prefeitura sem deixar a população desassistida. Estamos trabalhando com responsabilidade para reconstruir Barra do Piraí”, declarou.
Para a prefeita, apesar das limitações financeiras, a educação segue como prioridade. “Educação não é gasto, é prioridade. Mesmo enfrentando uma crise financeira herdada, nossa gestão não deixou faltar merenda, transporte escolar e investimentos nas escolas. Seguimos trabalhando todos os dias para garantir dignidade aos nossos alunos”, afirmou Katia Miki. Segundo a Prefeitura, mesmo diante do cenário de endividamento, a gestão atual garantiu a entrega de kits escolares completos a todos os alunos da rede municipal no último ano, ampliou a merenda escolar com inclusão de frutas e suco, manteve o transporte escolar gratuito e iniciou um programa de revitalização de unidades escolares.
De acordo com a administração municipal, a obra da Escola Jeohvah Santos — paralisada há anos — foi concluída, e novas unidades estão sendo construídas nos bairros São João e Vale do Ipiranga.Sobre a ausência dos uniformes, a Prefeitura afirma que a situação é consequência direta das dívidas herdadas, e não de falta de prioridade com a educação. Segundo Katia Miki, as próprias empresas fornecedoras foram prejudicadas. “Estamos falando de empresas que entregaram os materiais e ficaram sem receber pelos serviços prestados. Isso gerou um impacto enorme para o município e criou dificuldades que hoje recaem sobre toda a cidade”, disse a prefeita. A reportagem tentou obter a versão da gestão anterior sobre as dívidas apontadas, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.



















