Marca foi registrada às 4h desta terça-feira na estação Campo Belo, na parte alta do Parque Nacional; temperatura supera todos os recordes registrados no país neste ano
Sul Fluminense – O Brasil acordou nesta terça-feira (14) com seu ponto mais frio de 2026 — e ele fica no Sul Fluminense. A estação meteorológica Campo Belo, instalada na parte alta do Parque Nacional do Itatiaia, registrou -11°C às 5h desta madrugada, na região que abriga o Pico das Agulhas Negras, o quinto ponto mais alto do Brasil, com 2.791 metros de altitude.
O número é histórico. Até esta terça-feira, o recorde de temperatura mais baixa do país em 2026 pertencia a Bom Jardim da Serra, na Serra Catarinense, com -9,2°C registrados na madrugada do dia 24 de junho. O Itatiaia superou essa marca em mais de um grau, colocando o Rio de Janeiro — estado que a maioria dos brasileiros associa a praias e calor — no topo da lista dos pontos mais frios do Brasil neste inverno.

Um inverno marcado por recordes
O inverno de 2026 tem sido excepcionalmente rigoroso no Centro-Sul do Brasil. Uma intensa massa de ar polar avançou pelo Brasil no final de junho, provocando os dias mais frios de 2026 em pelo menos 14 estados, com geadas amplas, temperaturas negativas e tardes excepcionalmente frias nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e até em áreas da Região Norte.
Em Santa Catarina, os termômetros ficaram próximos dos 9°C negativos durante a primeira onda de frio do inverno, consolidando o estado como o mais frio do país naquele episódio. Em Curitiba, os termômetros marcaram 2,3°C, superando o antigo recorde de 2026. Em Florianópolis, a estação da Epagri registrou 3,7°C, estabelecendo a menor temperatura do ano na capital catarinense até aquele momento.
A nova massa de ar polar que ganhou força a partir do dia 7 de julho avançou do Sul em direção ao Sudeste, provocando instabilidade no Sul Fluminense, no Grande Rio, na Zona da Mata mineira e no sul do Espírito Santo. Foi essa massa que chegou com toda a força à Serra da Mantiqueira nesta madrugada de terça-feira, produzindo o registro histórico no Itatiaia.
O paradoxo climático de 2026
O inverno de 2026 está sob influência de um El Niño de forte intensidade. Embora as massas polares dominem julho, a tendência é que o fenômeno provoque episódios de ondas de calor e temperaturas acima da média histórica no final da estação, entre agosto e setembro. Em outras palavras, o Brasil vive em 2026 um inverno de extremos: frios históricos em julho e perspectiva de calor intenso nos meses seguintes.
Itatiaia, o gigante frio do Sudeste
O Parque Nacional do Itatiaia possui sistema de monitoramento em tempo real, com câmeras instaladas na torre de transmissão a mais de 2.500 metros de altitude. A estação Campo Belo, reativada recentemente após período de inatividade, é a responsável por captar os registros mais extremos da região — e já havia dado sinais do que estava por vir quando marcou -7,6°C na última quinta-feira (9), à época já o dia mais frio do ano no estado do Rio.
A história do frio extremo no Itatiaia não é recente. Em julho de 1985, a parte alta do parque foi coberta por neve — imagens que entraram para a memória da região Sul Fluminense e que mostram que a Serra da Mantiqueira tem potencial climático que rivaliza com as serras do Sul do país. O registro desta madrugada confirma, com números, o que os moradores da região sempre souberam: o Itatiaia é um dos pontos mais frios do Brasil.
Para quem planeja visitar a parte alta do parque neste inverno, o aviso é direto: a diferença de temperatura entre a cidade de Itatiaia — que costuma marcar entre 8°C e 14°C nas manhãs mais frias — e o topo do PNI pode ultrapassar 15 graus. Roupas em camadas, equipamentos adequados e agendamento prévio junto ao ICMBio são obrigatórios.




















Delícia