Por Luciano Ribeiro.
Política em grego (πολιτική) significa “politikós”, que deriva da palavra “polis” (Cidade-estado) e tudo que se refere ao governo, os cidadãos e os negócios públicos. O termo “religião” vem do latim, e nasceu de RELIGIO, que significa “respeito pelo sagrado”, mas também significa “re-ligare”. Muitos entendem que
a religião e política não devem se misturar, todavia, a religião sempre esteve imbricada com a política. Toda sociedade possui suas leis morais que não vieram da política, da arte, da ciência nem da filosofia, mas da religião.
Platão alerta-nos para o poder degenerado em quaisquer formas de governo e estabelece que apenas os homens simples desprovidos de ganância garantiria as justas leis. A religião não defende a ganância, ela defende a harmonia entre os homens. Condenar a ganância não é condenar o dinheiro, pois este nunca
foi um mal. Ele agasalha, mata a sede, a fome, instrui, cura doenças, veste e proporciona conforto. Para Platão o governante deveria ser o filósofo, pois este além de ter conhecimento possui sabedoria e não carrega em si interesses pessoais. O homem filósofo em Platão nasce com a alma, a virtude é inata e,
quando aceita a sua natureza é estimulado a cumprir sua função com dignidade na cidade.
Rousseau estabelece uma concepção de Estado democrático, baseado no poder popular e na coisa pública como guia dos interesses comuns no cidadão. O político não pode ter outro interesse que não seja o coletivo. Aristóteles disse: “o homem é um animal político por natureza, tem na família a sua
socialização e garantir a manutenção da vida financeira e educativa, mas é na Pólis (cidade) que se realiza plenamente. ”No Brasil predomina os valores da tradição judaico-cristã. Na esfera política, o líder religioso defende a igualdade, fraternidade e ajuda ao próximo, que inclui o amparo emocional. Líderes religiosos observam as leis comportamentais, sendo possível orientar e fazer justiça em todas as classes sociais para o bem comum da nação. Portanto, se a política visa regular e manter as leis civis e
disciplinares, a religião, corrobora com os valores morais da sociedade estabelecidas pela religião que é seguida.
Luciano Ribeiro é formado em filosofia




















👏🏽👏🏽👏🏽 muito bom meu amigo!
Isso mesmo meu amigo Luciano , apenas os homens simples desprovidos de ganância garantiram as justas leis.
Como foi dito a religião corrobora com os valores morais da sociedade estabelecidas pela religião que é seguida. Por conseguinte endosso que haja tolerância religiosa e respeito as divergências e não especulações ao observar que é possível permear em outras crenças e culturas, não me refiro aos interesses políticos e sim um conhecimento para abster-se de manobras e opiniões equivocadas.
Desde os primórdios que religião e política se unem. Texto impecável de Luciano Ribeiro, como sempre.
O texto de Luciano Ribeiro nos apresenta uma abordagem profunda e necessária sobre a intersecção entre política e religião, trazendo à tona questões que há séculos moldam a sociedade. Com uma base filosófica bem fundamentada, o autor nos lembra que a política, desde a Grécia Antiga, não pode ser dissociada das leis morais que orientam a conduta humana. Em um mundo onde se prega a separação absoluta entre política e religião, sua argumentação resgata um ponto fundamental: a moralidade que sustenta qualquer civilização não nasce do vazio, mas de princípios que, historicamente, foram transmitidos pelas tradições religiosas. O autor acerta ao afirmar que a religião, mais do que uma crença pessoal, sempre desempenhou um papel social estruturante. Ao trazer Platão para o debate, ele ressalta a importância da ética no governo e a necessidade de líderes que coloquem o bem comum acima dos interesses individuais. Essa ideia ressoa fortemente nos tempos modernos, onde a política frequentemente se degenera em busca de poder e vantagens pessoais, afastando-se da sua verdadeira vocação: servir à sociedade. Outro ponto relevante do texto é a valorização da tradição judaico-cristã no Brasil, um aspecto muitas vezes negligenciado em discursos contemporâneos. Independentemente das crenças individuais, é inegável que os valores dessa tradição ajudaram a moldar nossas leis, nossa cultura e o senso de justiça que guia a sociedade. O autor acerta também ao lembrar que líderes religiosos, quando verdadeiramente comprometidos com seus princípios, podem ser agentes de transformação social, promovendo a fraternidade e a solidariedade.
A política não deve ser refém de dogmas, mas também não pode ignorar a influência histórica da religiosidade na construção dos valores coletivos. A reflexão proposta por Luciano Ribeiro é valiosa porque desafia a visão moderna que tenta eliminar a religião do debate público, quando na realidade, a política e a moralidade sempre caminharam lado a lado.
Em tempos de relativismo e crise ética, este texto é um convite à reflexão sobre como reconstruir uma sociedade mais justa, equilibrada e moralmente sólida.