Em dois dias consecutivos, o Parque Nacional do Itatiaia registra as duas menores temperaturas do país neste inverno; três das cinco marcas mais baixas do Brasil estão na mesma região da Serra da Mantiqueira
Sul Fluminense – O Parque Nacional do Itatiaia não parou de surpreender. Se na terça-feira (14) a estação Campo Belo havia registrado -11°C — já então o ponto mais frio do Brasil em 2026 —, na madrugada desta quarta-feira (15) o próprio recorde foi superado. Às 5h28, o termômetro marcou -11,5°C na mesma estação. Em 24 horas, o Itatiaia quebrou duas vezes o recorde nacional de temperatura mais baixa do ano.
O número coloca o parque numa categoria que poucos brasileiros imaginariam possível num estado associado ao verão eterno: o frio de -11,5°C é mais intenso do que qualquer temperatura registrada na Serra Gaúcha, na Serra Catarinense ou na Serra do Espigão do Paraná neste inverno. No momento em que esta reportagem era publicada (6:39h), os termômetros marcavam -11,3° C.

O pódio do frio — e o Itatiaia domina
O ranking das temperaturas mais baixas do Brasil nesta quarta-feira revela um domínio absoluto da Serra da Mantiqueira:
🥇 -11,5°C — Estação Campo Belo, parte alta do PNI — Rio de Janeiro
🥈 -10,3°C — Estação na nascente do Rio Campo Belo, PNI — Minas Gerais
🥉 -5,4°C — Delfim Moreira (MG), a 1.711 metros de altitude — às 6h
As duas menores temperaturas do Brasil em 2026 estão no mesmo parque nacional — uma no lado fluminense, outra no lado mineiro. A fronteira entre Rio de Janeiro e Minas Gerais, que corta o Parque Nacional do Itatiaia, é hoje a linha divisória entre o Brasil e o congelador.






Você sabia? Curiosidades sobre o Itatiaia
O Parque Nacional do Itatiaia foi o primeiro parque nacional do Brasil, criado em 1937. Antes disso, a área era uma estação biológica experimental do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, fundada em 1908.
O nome “Itatiaia” vem do tupi e significa “pedra pontiaguda” — referência direta ao visual do Pico das Agulhas Negras, que com seus 2.791 metros é o quinto ponto mais alto do país.
A região abriga a nascente de rios que abastecem o Sul Fluminense — incluindo o próprio Rio Campo Belo, cujo nome batiza as duas estações que hoje ocupam o topo do ranking de frio do Brasil.
Em julho de 1985, a parte alta do parque foi coberta de neve — imagens que entraram para a memória da região e que, 41 anos depois, voltam a ser lembradas a cada onda de frio histórica como a desta semana.

O inverno que ninguém esperava
A massa de ar polar que avançou do Sul em direção ao Sudeste a partir do dia 7 de julho chegou com intensidade crescente à Serra da Mantiqueira. Em sequência, o Itatiaia registrou -7,6°C na quinta-feira (9), -11°C na terça (14) e agora -11,5°C nesta quarta (15) — uma escalada de frio que aconteceu em apenas seis dias.
O inverno de 2026 já tinha sido marcado por recordes antes mesmo de chegar à Serra da Mantiqueira. Em Santa Catarina, Bom Jardim da Serra havia registrado -9,2°C em 24 de junho, que parecia um recorde difícil de superar. O Itatiaia superou em dois dias diferentes, com folga.
O paradoxo é que este mesmo inverno deve terminar mais quente do que o normal. O El Niño de forte intensidade que atua sobre o Pacífico deve provocar ondas de calor e temperaturas acima da média histórica nos meses de agosto e setembro. O Brasil de 2026 vive um inverno de extremos — e o Itatiaia está escrevendo a parte mais fria dessa história.
Alerta para visitantes
A diferença de temperatura entre a cidade de Itatiaia — que marca entre 8°C e 14°C nas manhãs mais frias — e o topo do PNI pode ultrapassar 20 graus neste momento. A visita à parte alta do parque exige agendamento prévio junto ao ICMBio, acompanhamento de guia credenciado, roupas em camadas, equipamentos de proteção térmica e muita atenção às condições climáticas antes de subir.



















