Luiz Aragão percorre 2.200 km na maior expedição de trilhas do estado; rota atravessa o Sul Fluminense esta semana com apoio de pousadas, fazendas e parceiros da região
Estado do Rio – Ele partiu do Cristo Redentor no dia 1º de maio e vai terminar em agosto. No meio do caminho: 2.200 quilômetros de trilhas, quase 100 unidades de conservação, dezenas de municípios e uma missão que ninguém havia tentado antes — percorrer integralmente, a pé e de bicicleta, a Trilha Nacional Volta ao Rio, a maior rota de natureza já estruturada no estado do Rio de Janeiro.
Luiz Aragão, da Rede Brasileira de Trilhas, é o homem à frente dessa expedição. Não é a primeira vez que ele enfrenta um desafio desse porte. Em 2024, testou o Transespinhaço, com 750 quilômetros no sertão mineiro. Em 2025, a Transmantiqueira, com 1.000 quilômetros pela Serra da Mantiqueira. Agora, em 2026, enfrenta a Volta ao Rio — e fecha assim o projeto que ele mesmo batizou de BR-3: as três maiores trilhas de longo curso do Brasil, todas testadas por ele, no ritmo dos próprios passos.
O objetivo da expedição vai além da aventura pessoal. Aragão testa o traçado, avalia a logística, cadastra hospedagens e parceiros ao longo do percurso e produz o mapa técnico que vai permitir que outros trilheiros possam fazer a Volta ao Rio com segurança e planejamento. É uma expedição-laboratório — e o Sul Fluminense é um dos seus capítulos mais ricos.
“As trilhas de longo curso são corredores vitais que levam o desenvolvimento econômico aonde nenhuma outra infraestrutura chega. Estamos transformando nossas trilhas em um ativo de classe mundial, demonstrando que a conservação da biodiversidade, a experiência de percorrer longas distâncias e a geração de renda avançam lado a lado, no mesmo passo do trilheiro”, afirma Aragão.






O Sul Fluminense e o Vale do Café recebem a expedição
Nesta semana, a expedição chegou ao território do Sul Fluminense e do Vale do Café — e a recepção tem sido à altura da importância do projeto. A rota passou por Vassouras, onde Aragão foi recebido no Parque Hotel Santa Amália, com o apoio da anfitriã Ana Furtado. Em Valença, a Pousada Arara — com a anfitriã Livia Moulfron — e a Tupan Bike garantiram apoio e hospedagem, com passagem pelo Parque Estadual da Serra da Concórdia. Em Conservatória, distrito de Valença, a Pousada Girassol, com a anfitriã Roberta, e a Fazenda Santana do Turvo, com o anfitrião Junior, abriram suas portas ao expedicionário.
De Conservatória, Aragão seguiu por São José do Turvo e pernoitou em Amparo, distrito de Barra Mansa, na Fazenda Santana do Turvo. A próxima etapa prevê chegada a Quatis no dia 17 de julho, com hospedagem na Pousada Pôr do Sol — anfitriã Juliana. Em seguida, a rota segue para o distrito de Fumaça, em Resende, onde os anfitriões Xiquito e Benedita receberão o trilheiro. A chegada à região de Visconde de Mauá está prevista para o dia 19 de julho, com pernoite no Alojamento da Sede Administrativa do Parque Estadual da Pedra Selada, sob a gestão de José Carlos, e apoio da Mauá Bike e do Bardoxico, com o anfitrião Biazi.
Toda essa rede de parceiros está sendo cadastrada por Aragão ao longo da expedição — informações que vão compor o guia oficial da Volta ao Rio para futuros trilheiros.
Do frio do Itatiaia ao calor das praias
O que torna a Volta ao Rio única entre todas as trilhas de longo curso do Brasil é a amplitude brutal de paisagens e climas que ela conecta. Num mesmo percurso contínuo, o trilheiro pode sair de altitudes próximas a 2.800 metros no Parque Nacional do Itatiaia — onde esta semana a temperatura chegou a -11,5°C, o ponto mais frio do Brasil em 2026 — e chegar dias depois às praias do litoral fluminense sob sol forte. Neve e areia, no mesmo trajeto.
A rota conecta paisagens que vão das restingas de Jurubatiba e praias do litoral às montanhas da Serra do Mar e da Serra da Mantiqueira. Passa pelo Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos, pelo Parque Estadual dos Três Picos — a maior unidade de conservação estadual do Rio —, além do Parque Nacional do Itatiaia, o primeiro parque nacional do Brasil, criado em 1937. No total, quase 100 unidades de conservação estão conectadas por esse único corredor contínuo.
A expedição também atravessa o Caminho do Vale do Café — rota histórica que liga Petrópolis a Itatiaia pelas paisagens rurais do interior fluminense — e se conecta à Trilha Transmantiqueira, primeira trilha nacional oficialmente reconhecida no Brasil, integrando a Região Turística das Agulhas Negras ao grande circuito da Volta ao Rio.
Uma trilha que vira lei
A relevância do projeto já chegou à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. O Projeto de Lei nº 7.615/2026 reconhece a Volta ao Rio como de relevante interesse turístico, esportivo, ambiental e cultural do estado, instituindo oficialmente o Circuito Turístico Estadual Volta ao Rio. O projeto enquadra a trilha como um circuito integrado de caminhada, cicloturismo, remo e travessias de longo curso, conectando regiões turísticas, unidades de conservação e patrimônios ambientais, históricos, culturais e paisagísticos fluminenses.
A Agência de Desenvolvimento Regional do Sul Fluminense e o Circuito Sul Fluminense de Turismo têm atuado na articulação regional da iniciativa, apoiando a integração dos municípios à rota e conectando o Caminho do Vale do Café e a Trilha Transmantiqueira ao circuito da expedição. O projeto é conduzido de forma integrada pela Associação Rede Brasileira de Trilhas, pelo ICMBio, pelo INEA e pela TurisRio, com apoio do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério do Turismo e das prefeituras fluminenses que aderiram à iniciativa.
Uma expedição que o estado inteiro pode fazer
A Volta ao Rio não precisa ser percorrida de uma vez. Por ser uma integração de trilhas menores, o percurso pode ser feito em etapas, no ritmo de cada pessoa. A ideia é que o visitante retorne ao Rio de Janeiro várias vezes ao longo da vida, acumulando trechos e experiências — até completar, quem sabe, os 2.200 quilômetros integrais da maior trilha já criada no estado.
Para o coordenador-geral do projeto, Hugo de Castro Pereira, a iniciativa representa uma mudança de patamar para o turismo fluminense. “A Volta ao Rio vai colocar o Rio de Janeiro em outro patamar no turismo de natureza no mundo. A trilha materializa, na prática, a integração das regiões turísticas do estado em um único produto estruturante. É uma ferramenta concreta de regionalização do turismo, com impacto direto na geração de emprego, renda e conservação da nossa biodiversidade.”
Luiz Aragão ainda tem semanas de caminhada pela frente. Mas o que ele está construindo com cada passo vai durar muito mais do que a expedição.
Parceiros que apoiam a expedição no Sul Fluminense e Vale do Café:
Parque Hotel Santa Amália — Vassouras (anfitriã Ana Furtado) | Pousada Arara — Valença (anfitriã Livia Moulfron) | Parque Estadual da Serra da Concórdia — Valença | Tupan Bike — Valença | Pousada Girassol — Conservatória (anfitriã Roberta) | Fazenda Santana do Turvo — Conservatória (anfitrião Junior) | Pousada Pôr do Sol — Quatis (anfitriã Juliana) | Xiquito e Benedita — distrito de Fumaça, Resende | Alojamento do Parque Estadual da Pedra Selada — Visconde de Mauá (gestor José Carlos) | Mauá Bike / Bardoxico — Visconde de Mauá (anfitrião Biazi)



















