Percentual de motoristas flagrados com álcool quase dobrou no período pós-pandemia; Sul Fluminense tem uma das maiores taxas proporcionais de alcoolemia do estado
Estado do Rio – Dezessete anos, 5 milhões de motoristas abordados e uma redução de quase 40% no número de feridos em acidentes de trânsito. Esses são os números que a Operação Lei Seca apresenta ao completar sua maioridade no estado do Rio de Janeiro — desde o início das operações, em 2009, até março de 2026, foram realizadas 42.460 ações de fiscalização, com 4.881.060 motoristas abordados e 4.553.433 testes de etilômetro aplicados em diferentes regiões do estado.
Os resultados são expressivos. Na comparação entre 2008, período anterior à consolidação da Lei Seca, e 2025, o estado registrou queda de mais de 21% na taxa de mortes no trânsito. A redução foi ainda mais expressiva no número de pessoas feridas em acidentes: a taxa caiu 38,6%. Em números absolutos, mais de 360 mil ocorrências envolvendo consumo de álcool ao volante foram registradas pelas equipes da Lei Seca ao longo desses 17 anos, retirando das ruas motoristas que representavam perigo para a população.
O alarme que ninguém esperava: alcoolemia em alta
Apesar dos avanços históricos, um dado preocupa os especialistas. O percentual de motoristas flagrados com álcool no sangue passou de 4,97%, registrado entre 2014 e 2019, para 10,10% no período pós-pandemia, entre 2022 e abril de 2026. Só em abril deste ano, 9,47% dos motoristas abordados apresentaram alcoolemia, indicando tendência de alta após leve recuo em 2025.
Na prática, isso significa que o comportamento dos motoristas, que havia melhorado significativamente na primeira década da operação, voltou a piorar após a pandemia. E os dados de 2025 detalham o perfil de quem mais bebe e dirige: homens entre 40 e 49 anos lideram o ranking — foram 24 mil abordagens nessa faixa, com 10% de casos positivos. Entre as mulheres, foram 19 mil abordagens, com 8,5% de resultados positivos.
O Sul Fluminense no radar da operação
A atuação da Operação Lei Seca na região do Sul Fluminense tem revelado índices elevados de motoristas dirigindo sob efeito de álcool, reforçando a necessidade de fiscalização permanente. O interior do estado, incluindo o Sul Fluminense, concentra algumas das maiores taxas proporcionais de alcoolemia no Rio. Em determinadas ações, 1 em cada 5 motoristas abordados apresentava irregularidade. A região é considerada prioritária para intensificação das operações.
Mais equipes, mais tecnologia
Com seis novas equipes, a operação poderá realizar até 14 ações simultâneas nos dias de maior incidência de alcoolemia. Hoje, entre 10 e 12 equipes atuam diariamente, com efetivo de 255 agentes entre servidores civis e policiais militares.
Desde 2021, o volume de recursos destinados à iniciativa cresceu mais de 200%, permitindo a ampliação das ações com uso de tecnologias e reforço logístico. Entre os investimentos estão a criação de um núcleo de monitoramento por drones, aquisição de novos etilômetros, rádios transmissores, motocicletas, vans adaptadas para educação no trânsito, além de equipamentos de sinalização e uniformes.
Com média de 2,5 mil operações por ano e cerca de 287 mil motoristas abordados anualmente, a Lei Seca mantém atuação contínua e estratégica. O recado é simples e permanece o mesmo depois de 17 anos: beber e dirigir não é apenas uma infração — é uma ameaça à própria vida e à de quem está ao redor.



















